sábado, setembro 19, 2020

Pedaços

Tentando pintar o real com o abstrato
Colocando em caixas separadas o infinito daquele beijo
O infinito doce da saliva
O infinito intenso respirar

Tua mão abraçando o encontro do meu perfil com meus seios
Teu queixo esgueirando minha clavícula descoberta
Tua pele roçando minhas costas, tua roupa errijecida

O girassol dos meus lábios encontrando o sol da tua boca
E o olhar por dentro revirando a vida
Incerta, crua e voraz

Enquanto tuas mãos lambem meu tronco, minha virilha
A vida passa
Passa por entre nossas línguas


sexta-feira, agosto 28, 2020

20h

Eu quero ver a luz do teu carro vindo em direção a minha casa 
Eu quero te ver descobrindo minha porta da entrada
Quero ter você focado em minha áurea
Enquanto te ignoro
E olho o contorno do teu corpo

Preciso fingir que há distância
Para não te servir toda minha ânsia

Preciso dizer que nem senti 
Tanto tua falta

Mesmo que meus ouvidos tivessem decifrado cada som e estalo
Só pra saber se era o teu cheiro 
 Chegando no meu encalço

Tu precisa desvendar todo meu querer 
Antes que eu perca a paciência
E me atire nos teus braços

Aprendi a fazer charme
Um deleite masoquista
Estranho modo de conquista

Tu vai ver meu sorriso de canto
Desvendar tudo que quero
Me encontrar no teu abraço
 No silêncio de nosso leito
Na confusão de nossos peitos








quinta-feira, julho 30, 2020

Brasília

Esse é uma história que nunca será colocada a prova. 
Esse amor, essa paixão. 

Não vou poder fingir que não te vi na rua ou nos corredores do ICH, pois você não vai estar lá, você não está mais nesse mundo. 

Vi sua partida numa mensagem de e-mail. E, sempre me pergunto da profundidade das relações que nunca foram colocadas a prova, dos beijos que nunca aconteceram, mas que de alguma forma, foram sentidos. 

O calor é tudo o que posso me lembrar de concreto. O calor do seu corpo, o meu apelido, o seu olhar, e um pouco do seu abraço. 

É tudo que posso dizer que tenho. 

Sonhei mil vezes em te encontrar por aí, te mandar uma mensagem. 

Mas nunca fiz, nossas vidas foram passando, tive meu filho, me casei, construí casa. E, você estava lá nas minhas melhores memórias.

Escolhi algo só meu naquele ano, e no primeiro dia de aula te vi recostado na parede, um vulto intenso de todos os meus secretos sonhos. 

Ainda imatura para seguir o mais rápido possível para falar com alguém que não tinha pouco do meu passado, mas tinha tudo de mim de alguma forma. 

Vesti um rosto de surpresa enquanto você caminhava em minha direção, e tentei dizer para o mundo que ainda não tinha te visto. Você me chamou do jeito que há anos me chamava: Juju. 

Devo ter corado. Nos abraçamos e meu corpo todo pulsava.

Falamos sobre a faculdade, algo assim, perguntei o que você estava fazendo ali.
Ciência da religião!

 Tive duas longas conversas com você naquele ano, o último ano que o veria com vida, o último ano que qualquer pessoa o veria com vida. 

Numa de nossas conversas, você disse que demorei muito para estar ali. E, de alguma forma parecia que você sabia tudo, tudo que se passava dentro de mim. 

E, será que não sabia?

Queria que tivesse a dimensão do seu impacto em mim, mas não tive a oportunidade. 

Como dói, perder a oportunidade. 

Naquela mesma época, enquanto comprava algo num bar, vi você de longe práticando capoeira. Sentei no degrau do bar e fiquei admirando o que nunca poderia ter. 

Depois da sua morte, não sei quem você foi, se teve filhos, se amou verdadeiramente. 

E, sigo sentindo sua falta. Com  a certeza que nunca  mais poderei vê-lo.

Algo que nunca se teve, que nunca pode se provar. 

Deve ser o mais puro dos sentimentos. 
Sigo sentindo a falta do que nunca tive, a falta da possibilidade.

Sinto sua falta, falta de não poder ver você andando na rua. 

Lembra, daquele dia no bar de bilhar?
Você encostado em mim, mais do que só sentado ao meu lado. Do teu corpo quente, da vontade na ponta da sua boca, do teu olhar nada isento, e do meu sorriso e "se". 
Eu me lembro....


Como dizia Cazuza...

"teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer
E o meu, poesia de cego
Você não pode ver

Não pode ver que no meu mundo
Um troço qualquer morreu
Num corte lento e profundo
Entre você e eu"....




sexta-feira, julho 24, 2020

vida adulta

A vida adulta é a poesia desprendendo das mãos,  enquanto chega a mensagem regularize sua dívida, a dor de cabeça lancina, a louça continua suja na cozinha e o amor que ainda dorme na sua cama. 

domingo, fevereiro 23, 2020

Eu vi seu avô na rua
Nós tínhamos tudo pra dar certo
Quando me lembro que ouvi de alguém Contando que ele recitava poesia na mesa de almoço

Eu lá, seria um alvoroço...

toque

É foda..
Quando você me encosta
Me arrepio toda
E me desaparece
A raiva