domingo, novembro 02, 2025

raciocínio

Pensei em fazer uma pequena lista de mulheres que são casadas, mas não deveriam estar casadas/namorando...

Começo só com as iniciais:

I
K
J
B
L
L
D
R
P
E
V
F
R




segunda-feira, março 31, 2025

pequena e grande

As cidades pequenas expressam uma força imagética efêmera. Uma praça adornada com uma bela Igreja estilo barroco, árvores frondosas, casinhas estilos colonial, com seus telhados e acabamentos em madeira, janelas de abas duplas, e cores das mais diversas. Sempre há alguém que repousa por mais tempo do que é necessário nos bancos da praça. Há crianças correndo pelos arredores, carros que contornam as ruas de pedrinhas, como besouros cansados e despreocupados com o tempo. Pois, é assim que as cidades pequenas funcionam, despreocupadas com o tempo.

Certo dia, uma menina desconhecida desaprendeu-se do ônibus, que outrora viajava entre o município pequeno e a grande cidade. E, por ainda não entender as entrelinhas de uma cidade pequena, apresentou suas dúvidas para onde partiria para alguém da pequena cidade, com os dizeres econômicos: preciso ir ao Conselho Tutelar. 

Mas, o que a moça da cidade grande esqueceu, é que os integrantes desse órgão eram nomeados pela população e de conhecimento total de todos, visto a pequenez das ruas e das distâncias, e longitude das línguas dos residentes. 

E de certo e de errado, foi-se espalhando por entres as papilas gustativas dos pequeninos moradores, que havia uma nova pessoa trabalhando no órgão ora temido, ora desacreditado na cidade. 

Em mais uma viagem, sem saber a reverberação de sua menção, a senhorita tornou a confirmar sua relação com o conselho tutelar. Mas, dessa vez, a dúvida real e urgente, já era dos próprios integrantes do órgão, que botaram a cara na rua a procurá-la, como quem fareja desordem. Que datada a descrição dos transeuntes do veículo automotor, diziam estar de calça e  blusa claras, portando bolsa com as insígnias do Conselho Tutelar. 

Mas, ora bolas, quem será? Passou pelas rentes cabeças, que ali fornicavam hipóteses, que poderia ser uma fiscal, a mando de gente grande da Casa da Justiça, a mando do Ministério Público. O grande MP. 

Por derradeiro que o mistério tornou-se indissolúvel, sem poder se dissolver nas ilusões do povo, pois a moça havia sumido. Não se via ninguém na rua que fosse ela, pois se não fosse ela, era gente conhecida, e gente conhecida da cidade, não era ela. 

Grandes e irreverentes histórias foram criadas para explicar o tal sumiço, já que o ônibus não vinha sempre, e não retornara para que ela pudesse zarpar nele sem dar explicações. 

Nem carro estranho tinha se submetido nas ruas, a fiscalização se mostrou intensa. 

Foi que num salto quase angelical, que lá das paredes do prédio do órgão subjugado, ouviu-se um cântico doce e crianças rindo. O som havia tocada docemente os ouvidos de uma quase moradora. Quase, pois os seus pés ainda estavam levitando sob as calçadas da pequena cidade. 

E de lá, de dentro do conselho tutelar, ela pode entender de onde vinha a novidade. Era da casa bonita que se modificava a cada dia. Ontem fachada um pouco morta, hoje viva e reluzente.
Casa que tinha um caminho de entrada de casamento, cheio de plantas. O grande corredor do portão principal, corredor floresta, que era o máximo que algum curioso poderia ver. 

E a curiosidade tomou todo o corpo da quase residente, que se pôs a andar em direção a casa, e viu a soslaio a figura doce de uma professora, de blusa e calça clara, e em cima da mesa uma bolsa cheia de bonequinhos felizes desenhados. 

Fim do mistério. A moça da cidade grande, e de grandes sonhos, tinha recebido a oferta de dar aulas, na casa de grande gente, e de grandes feitos, de grandes pretensões. E lhe deram um simples indicativo: fica em frente ao Conselho tutelar. 

E a casa, apesar de grande, tinha algo muito maior, grande mesmo, era ofertar cultura para toda gente da pequena cidade. Sonho que aqueles que regavam o corredor floresta, cultivam em seus corações. 

Corações grandes, em pequenas cidades. 

As cidades pequenas tem dessas coisas fortes, de ser uma almagama entre ruas, árvores e pessoas, ninguém entre ou sai sem ser percebido, é viva e voraz. E cheia de belezas internas, de "coisices", de fofocas e meias verdades. Mas, ela se dobra para ver a novidade,  que embora possa ser julgada, traz a esperança, traz a grandeza. 

Alguém um dia dirá: nas pequenas cidades, há uma grandeza singular. 


quinta-feira, dezembro 19, 2024

juventude

Sem perceber atropelei com meus ímpetos de juventude a sensibilidade do seu olhar.
 Mas, no andar da velocidade das pontes, direções e unguentos que me atravessavam, eu vi..
Vi que a serenidade de como você enxerga o tempo e as coisas, eram na verdade muito mais urgentes e necessárias. 

Peguei-me a refletir, por acaso, quais seriam as minhas atitudes daqui há um tempo. 
E quais já são as minhas leituras da vida, em comparação aos mais novos. 

Certo que na minha experiência, nessa nossa pequena interação, pude enxergar beleza e imensa compaixão. 

Será que ainda serei capaz? 
Será que fui capaz?

Tomara que sim, no futuro e no passado. 

De onde estiver, saiba: te amo.

terça-feira, novembro 05, 2024

hiato

Deveria se chamar o hiato da mãe, ou momento de hiato da mãe. 

Será?

O que seria um hiato?
E para mim, mãe?

No momento mais movimentado do dia: paz.

No hiato de uma mãe, e direi em terceira pessoa, ela se viu absorta na escuridão do que fazer.

 Havia mil coisas, mas a ação escorrera de suas mãos em pensamentos profundos e rasos de solidão. 

A soletude não era temida por ela, era até querida. Mas, não assim. Do nada, sem planejamento. 

Ela tinha livro e artigo científico para ler, série para ver, louça para lavar, cama para estender, música para ouvir. E ela não fez nada. Nem comer fazia muito sentido. 

Teimou a distância, tentar segurar os fios dos cabelos das filhas, verificar as roupas, o filho está bem?

Cadê meus filhos?

A saudade arrebatava. Tentou tomar um banho quente, sem interrupções, procurando achar na memória a sensação de esgotamento, e de asfixia, daquelas vezes que eles amontoaram por cima dela, e pressionaram tão forte o peito, até que ela ficasse sem ar. 
Era o amor. 
Era o querer.
 Um pedaço seu para cada um dos três filhos. 

Ela não achou. 
Era só água quente e silêncio. 
Nada que pudesse dizer: alívio. 
Ao invés disso, teve a sensação da pequena no colo, o cheirinho de leite azedo no pescoço, o tom de ouro dos cabelos da do meio, o abraço apertado e gostoso do mais velho. 

Que saudade. 

Eram só horas, mas que saudades. 

Então, como o nada parecia tão afável, ela abraçou a solidão, saudosa, até com lágrimas, e tentou dormir.
 Por que dormir para mãe era também difícil. 

A mãe nem sempre dorme. Acorda a madrugada toda, dá peito, preocupa com o cobertor que escorre do corpo da filha, se o filho colocou manga comprida.
 Ela acorda 5h da manhã, e preocupa. 
Dorme mais um pouco, mais a pouco temos que o acordar o João. 
Para o João tem que ter carinho e paciência, para a Isis e Juju o colo e beijinho. Lembre da mochila, do remédio. 

A mãe não dorme. 

Vou dormir. No meu hiato, vou dormir.

segunda-feira, junho 26, 2023

Safada que sou

Vou escrever um texto safado.
 Sobre a grande safadeza que as brumas do cotidiano escondem. 
 "Adultar" vai ser o neologismo que invento agora para xingar essa fase da vida, que nos tira a maioria das horas de safadeza, e nos aplica amores incondicionais sobre filhos, monogamia, trabalho, família. (não que seja ruim, mas é bem um pelo outro). 
Enquanto passo de um cômodo para o outro, ainda ouço aquelas músicas, sabe?
 Aquelas da nossa época? 
E vejo a silhueta do meu perfil pela janela, e ainda, ainda assim... 
Ainda penso safadezas.