Será?
O que seria um hiato?
E para mim, mãe?
No momento mais movimentado do dia: paz.
No hiato de uma mãe, e direi em terceira pessoa, ela se viu absorta na escuridão do que fazer.
Havia mil coisas, mas a ação escorrera de suas mãos em pensamentos profundos e rasos de solidão.
A soletude não era temida por ela, era até querida. Mas, não assim. Do nada, sem planejamento.
Ela tinha livro e artigo científico para ler, série para ver, louça para lavar, cama para estender, música para ouvir. E ela não fez nada. Nem comer fazia muito sentido.
Teimou a distância, tentar segurar os fios dos cabelos das filhas, verificar as roupas, o filho está bem?
Cadê meus filhos?
A saudade arrebatava. Tentou tomar um banho quente, sem interrupções, procurando achar na memória a sensação de esgotamento, e de asfixia, daquelas vezes que eles amontoaram por cima dela, e pressionaram tão forte o peito, até que ela ficasse sem ar.
Era o amor.
Era o querer.
Um pedaço seu para cada um dos três filhos.
Ela não achou.
Era só água quente e silêncio.
Nada que pudesse dizer: alívio.
Ao invés disso, teve a sensação da pequena no colo, o cheirinho de leite azedo no pescoço, o tom de ouro dos cabelos da do meio, o abraço apertado e gostoso do mais velho.
Que saudade.
Eram só horas, mas que saudades.
Então, como o nada parecia tão afável, ela abraçou a solidão, saudosa, até com lágrimas, e tentou dormir.
Por que dormir para mãe era também difícil.
A mãe nem sempre dorme. Acorda a madrugada toda, dá peito, preocupa com o cobertor que escorre do corpo da filha, se o filho colocou manga comprida.
Ela acorda 5h da manhã, e preocupa.
Dorme mais um pouco, mais a pouco temos que o acordar o João.
Para o João tem que ter carinho e paciência, para a Isis e Juju o colo e beijinho. Lembre da mochila, do remédio.
A mãe não dorme.
Vou dormir. No meu hiato, vou dormir.
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