quinta-feira, julho 02, 2026
Me perguntei se poderia escrever sobre aquela tarde, aquelas horas em que fiquei admirando a luz do sol delineando seus cachos, e o jeito que sua boca sorria a cada ideia mirabolante, planejando encontros que nunca iam acontecer, sua mão na cintura, seus lábios grossos, seu sorriso, o jeito sem graça que você desviava dos meus olhos. Me sentei do seu lado, seu hálito fresco na escuridão dos meus olhos fechados, mergulhados no oceano do meu interior, era um absurdo convite a saliva, lábios e cheiros.
Respirei.
Nem todo banquete é para ser enfurecidamente desfrutado, embora adoraria desprender-me das amarras, comer com as mãos, deitar sobre a mesa.
Respirei.
Já era dia.
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