segunda-feira, julho 04, 2011

Ventania

(Relembrando um post antigo)


Vou falar como um menino
Vou escrever suas lembranças nas minhas
Que uma música de rei me fez entender
Me fez ver, o que foi aquela madrugada
Cheia de ventos uivando a noite toda

Percebo agora,
que sem se importar se dominava ou era dominado
descansou no meu cansaço
Ora como gigante, mas de vez enquanto feito menino

Vindo atender aos seus apelos
Se perdeu nos meus braços
Que nem eu fiz com você
Me perdendo no seu peito

E sem maiores explicações o sol vai nascer
Entrar pela cortina fechada
E sem saber, sem querer
E alienada da cria inoportuna deste leve momento
Algo iria inundar minha face

Quando eu abrisse a porta
Deixasse cair minha bolsa no chão
Estendendo os braços na mesa
E olhando para um visual despenteado
Abaixando assim os olhos
Veria água escorrer
Feito pingos de orvalho

Aquela coisa estranha acontece
Algo que não teve a precaução de poder evitar
Já se consumou
A força já entra sem pedir licença
E o dia vai correr como nada
Como se fosse uma despedida na escada

Sem se importa naquele instante
Eu e você
Fomos bobos e inocentes
Talvez só eu
Mas diante da estranha sensação
Tudo agora é só lembrança
Não terá mais uma vez

E assim, talvez eu cante
De vez enquanto que vou lembrar de ti

E vou caminhar como menina
Se esquivando de qualquer dia que possa
Tenha capacidade de ser
Algo parecido com aquilo
Tão distante e tão incerto
Com esse poder imenso
De me ver refém de uma sensação
Parecida com este meio de dia.

domingo, julho 03, 2011

Debaixo dos Cachos

Debaixo dos cachos se esconde a vida em vão
Os amores, as deixas e as maneiras

Debaixo dos cachos
A vida certa e incerta
O sorriso para o sol
O brilho do cabelo

O mar se encontrado nos seios
A brisa da praia
E a areia grossa se aconchegando nas suas costas, pernas e pés...

Debaixo dos cachos
O ar baguçando suas madeixas
O luar iluminando sua loucura
As estrelas vigiando seu caminho

É a garagem guardando um beijo escorado no Jeep
É o grito de felicidade pelo encontro de lábios

São as estradas cheias de terra magenta
O céu escondendo a chuva para o sol brilhar

Debaixo dos Cachos
Dos cachos que viajam na luz do luar
Que balançam quando ela passar por lá

Debaixo das cachos ela se entrega
Ela é simples: ela!
Serena e plena.....

quinta-feira, junho 30, 2011

O Dom

O dom não é escolhido, ele escolhe quem quer, quem tenha forçar para abraçar suas intemperanças e desatinos, sua diferença no cinza dos dias, seu mar revolto e sua paz intangível...

Florescendo seu Dom primeiro, a menina estremece corações desavisados, cria ilusões fortes e atenua as dores dos dias...

Dom...
Que perdure e me encha de sua leviandade, sua pluma cortante e sua vibração terna....

Meu Dom!

quarta-feira, maio 25, 2011

Obrigada

Se a vida me concedesse a oportunidade de viver novamente, eu viveria para nascer no ventre de minha mãe, para sentir seu cheiro e suas mãos leves me acariciando, sua voz mansa e forte me confortando na noite, para ver sua magia de transformar choro em riso, nada em tudo.
Eu deixaria a solidão sagrada, para ser irmã do meu querido irmão Amurí, para curtir as suas músicas nas tardes quentes, para aprender coisas que só ele sabe me ensinar, para me sentir forte e capaz de proteger alguém.
Acordaria da eternidade, para ouvir a sabedoria de meus avós, para comer a comida da Vó Thereza, ouvir suas conversas e abraçar seu corpo aconchegante, para cantar as músicas de Benito di Paula junto com Vô Roberto, e caminhar pela Orla de Piúma ouvindo suas histórias tão lindas.
Deixaria a paz eterna, pela paz de estar com minha Tia Avó Néia, para me engrandecer com seus conselhos, sua esperança por nós, suas palavras de carinho e sentir seu abraço acolhedor.
Perderia minha condição plena, para morrer de amor por Salomão, para sair a qualquer hora desafiando céus, resgatando meu amor, viveria para comer sua carne moída com batata cozida, para descansar nos seus braços fortes, enquanto o despertador não toca, e beijar sua boca na manhã de cada dia.
Escolheria a fome e as emoções para estar entre a família Blasio Silva, para ser querida, para dar carinho na Mel e no Odin, e conversar infinitamente com a Denise e com o Alfredo.
Eu viveria novamente, da mesma forma, pois vocês me dão o que é de mais importante na vida: amor! Se sobrevivi, se cheguei aqui, foram suas graças!
Ob r i g a d a.

terça-feira, maio 03, 2011

O amor

O que possuido é
não é verdadeiro
O que forçado é
não é conquistado
O que exigido é
não é ganho

O amor não se dá nem se recebe
O amor é fluido imaterial independente
Dele próprio se alimenta
Dele próprio se basta

Não há como ver, sentir amor
Não há como querer amar o que não se ama
Nem o transformar

Amor não se adquire
Se percebe
É intríseco
E não há olhos que sejam obrigados a amar
e ame!
O amor não se esquece
Repousa

E não endurece
...

"O amor nada dá senão de si próprio
E nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.
Porque o amor basta-se a si mesmo".

(Khalil Gibran)


Quem se nega a amar
Ri mas não todas gargalhadas
Chora, mas não todas as lágrimas
Sofre, mas não toda dor

Amar é coisa que se faz todos os dias
Há amores e amores
E se lançar neles doí
Causa sofrimento
Alegria e odor

Mas alimenta a vida
E a morte atenua.

Pois quem amado é
sempre amado será.
Não importe a distancia

Calma

Que a calmaria desenhe flores nas horas de desatino e estupidez, que proclame dizeres sóbrios em meio a gritaria, e arrombe as pálbebras dos olhos com visões de amor e compaixão. Pois nenhum mar é tormenta todos os dias, nem o céu chove todo ano. Só a calma traz a razão e a lucidez dos fatos.