terça-feira, junho 21, 2016

Mãos

Mil mãos partem em mim
Mil sentidos partem no fim
E mil anseios se permitem enfim

Milhares de palavras cochliam
Perdões alardem
Quereres perdidos
Porozos e ferozes
Louvemos o ar
A transa no estar
No meio do mundo
Liberdades íntimas em par
Livres sagrados polos
Louváveis e majestosos

Partem em mim
Pedaços do fim
Início dos íntimos
Desejos escusos

segunda-feira, junho 06, 2016

Conexão

Enquanto fazíamos amor, a beira do extâse. pretendi, de alguma forma, encontrar dentro do seu peito, agarrado ao meu por suor e forças mútuas, algo tipo ouro, mas sem consistência, sem matéria, sem valor, sem estima, gotas da alma ou energia.
Querendo que minhas gotas de ouro passassem para seu peito, quase flutuava para dentro de você. Como se fosse uma conexão, um nexo entre o mar e a terra, passando entre nós como um fluxo de energia, que me parecia mais um raio, mas sem saliências.

Mas isso tudo, só se passa na minha cabeça, pois meus olhos estão fechados.

segunda-feira, abril 11, 2016

Mestiça

Pegaram-me pelo braço
Disseram, porém, que sou menina hippie
Estratificada na menção
Do que é uma sociedade racial
Terminaram por me definir
Como quem sassarica nua por ae
E que curiosos maldosos poderiam me difamar
Mas, ás vezes, me amar
Disseram-me:
Coisinha linda
Quero te!
Para beliscar
Somente o meu prazer
Mas eu apaguei no seu desejo
Pois, sou tão egoísta
Só gosto, mesmo, do meu gozo
Só arrisco meu beijo
Quanto maior for meu desejo
Mestiça
Pequenos olhos de gueixa
Cabelos nem pixaim
Nem longas madeixas lisas
Nariz borrachim
Boca grande coração
Nada tenho de Alemão
Mais para Criola Branca
Eu sou
Mais
Bem mais
Do que se Vê

quinta-feira, janeiro 14, 2016

Devaneio

Primeiro você sente raiva, e até fica comedido em relação as ações. Planeja palavras, e até se sai bem sucedido nos argumentos, quase que por instinto.
Sai da batalha, como se não tivesse tido um menor arranhão, mas como se tivesse estraçalhado o oponente, fazendo com que ele se perdesse, nas suas próprias palavras.

Ainda, tentando manter a calma, imagina saídas estratégicas sobre como vai mencionar a todos o momento fatídico. Vai dizer, pausadamente, que tudo ocorreu bem, que apesar da outra pessoa ter se exaltado, você se manteve calmo e racional.

Nos primeiros dias, contudo, essa será sua versão, para o mundo exterior e para o mundo interior.
Acreditará, que essa é a semântica mais perfeita para o momento.

Mas, com os dias, descobrirá que saiu mais ferido do que imaginava, que angariou mais inimigos do que previa, que saiu mais como a vilão, do que como o mocinho.

Num Segundo passo, você vai querer ignorar o mundo, e até vai achar desculpas para essa atitude nos indícios de culpabilidade de todos envolvidos.

Contudo, vai refletir e entender, que as implicações de culpados e inocentes, são bem mais complexas para a vã filosofia pode explicar.

Você vai chorar e cair em pleno desespero, pois tentando entender, o que já era entendível para os mais espertos, você se lançou na lama mais escura, e entrou num espetáculo horrendo, onde todos são vítimas, vilões e mocinhos ao mesmo tempo, mas você é o fantoche.

Num Terceiro momento, vai sentir uma raiva tão estrondosa, que sentirá seus músculos paralisados, e com um medo tão arrebatador, que não consiguirá achar lugar no mundo que lhe caiba.

Pois, sabe, agora, mais do que nunca, que qualquer palavra que disser, vai ser usada contra você, da maneira mais sórdida.

Num Quarto momento, aparecerá tão confusa e destoante de sua própria personalidade, que vai procurar qualquer realidade externa para se apegar, e viver a espreita de uma irrealidade, que seja mais suportável do que a verdade que a espera nos lugares conhecidos.

A sua casa vai ser um lugar medonho, cheio de bichos que podem ferir você e os que ama.
As pessoas que amam, vão sentir como uma onda de desamor e inacreditável desligamento, a sua condição psiquíca.

Eles não vão entender, e você estará tão soterrado pelas emoções, que não vai, sequer, conseguir balbuciar uma palavra a respeito.

Muitas coisas vão tomar o lugar do real motivo, e você por horas irá se convencer desses devaneios, e até acreditar que são eles os responsáveis pelo seu comportamente arredio e desconectado com o mundo.

Quando se olhar no espelho, há somente uma casca, que por conveniência sorri e fala, mas não sente, pois quem realmente sente, está gritando por dentro.

Uma família desestruturada acaba com um ser.

sábado, dezembro 12, 2015

Descoberta

Descobri, meio que na imensidão das incertezas, que gosto da estranheza. Gosto das mulheres de cabeças raspadas, e dos moicanos e coisas afins. Dos meninos de saia, dos cabelos afros, dredds e afins.
Descobri que não quero mais ter preconceito, que isso é tarefa difícil, intensa e ás vezes, sadomasoquista.
Que não sei bem onde vou, mas onde for, que exista felicidade.
E de tudo na vida, a liberdade é algo raro e caro, e dela não quero dispor, nenhum só pingo ou pedaço.
Pago o preço que for, me remendo, e faço um acordo com a paciência, eu assumo as rédeas, acredito na vida, no amor e na força da mudança, que uma criança nos proporciona.

sábado, dezembro 05, 2015

Alicia - parte livro

Pousava meus olhos cansados e tímidos nas suas mãos deslizando os dedos, acordes e tal.
O povo rodava e rodeava, estávamos num bar.
Sentada a sua frente, vendo sua alma alarmando seu amor no som.
Foi quando eu entendi, me atentei e ouvi você dizer, entre acordes e olhos que me fitavam, me davam os sinais de que algo queria dizer.
Eu ouvi, de todas músicas que tocava, e penetrei, dentro e findo. Você estava a me libertar, estava doendo, mas não havia mais perdões a se perdoar.... Vinha acontecendo dentro de mim, e eu já tinha me perdido de você amor. E, ela já era senhora.
E com você querido Zé, continuei cantando, uníssono nessa dor:

"Eu quero paz
Quero dançar com outro par
Pra variar, amor
Não dá mais pra fingir que ainda não vi
As cicatrizes que ela fez
Se desta vez
Ela é senhora deste amor
Pois vá embora, por favor
Que não demora pra essa dor
Sangrar"
Livro - Alicia (por Ju Corrêa).