terça-feira, agosto 20, 2019

O silêncio

Nunca almejei tanto o silêncio
Anseio o silêncio
O silêncio sincero
Sem fones de ouvido
Sem baixo volume

Silêncio de entrega

Junto a ele
Olhos que embarcam
Olhos que além de qualquer tela
Embarcam nos meus olhos
Olhos que me enlaçam

Mais do que com ardores de paixão
Mas, somente pura e sincera atenção

Olhos e silêncio

Nunca os tive fora de mim, a não ser  numa sala de aula
Quando alguém, tão ansioso, também quer um olhar generoso
Um olhar de atenção

Eu não os tive
E, aqui, certo que não terei

Tudo é coisa minha
Secreta e finda
Nada mais do que especulação

Solidão
O que me destina a vida
Se continuar nessa linha

Mudar?

Eu mudo
Eu faço
Eu quero

Silêncio sincero
Olhos abertos

Olhe pra mim

domingo, agosto 04, 2019

Inchaço

Nunca imaginei que meus olhos pudessem chorar tanto
Que deles podiam emergir tanta água

São os rios que esvaem de mim

Nunca imaginei
Que mesmo tendo chorado
Meus olhos ficassem secos de inchaço

Quando era menina, mal conseguia abrir os olhos quando chorava

Tornei-me seca?

Posso chorar até enquanto estou sorrindo, que para o mundo passa despercebido

E, não é alívio?

Alívio
É o que anseio nos dias frios

Um dia quem sabe, se me salvar desse poço fundo, estarei sorrindo, e somente isso.

sábado, julho 27, 2019

Vício

Eu tenho dores profundas, conscientes e inconscientes, que inundam a minha mente sem pedir licença para me importar com o seu vício no trabalho.

As vezes, a solidão faz emergir alguma dor lancinante, mas elas sempre estiveram ali, antes e durante você.

quinta-feira, julho 18, 2019

Os verões

Dá saudade
Dá até aperto no peito
Aperto cheio de nostalgia
De início, de começo

Do jogo de bola
Da areia batida nos pés
Das risadas
Das gargalhadas
Das conversas
Do jogo de carta
Quando a chuva vinha visitar

De abrir o portão da casa do amigo
De gritar o nome do amigo no portão

A gente ocupava toda essa rua
Como se ocupasse o Brasil do Oiapoque ao Chuí

Os muros não eram tão altos
Nem haviam tantas grades

Na frente da casa do meu vô
Não tinha nem calçamento
E, era bom como se não houvesse amanhã

O prédio que antes não tinha indivíduo algum
Agora tem todo tipo de índio

O terreno que era nosso corta caminho
Agora tem duas casas e mais nada no meio

A casa grande do pé de acerola
Em que a nossa bola sempre repousava
Agora é duas
E  não há mais acerolas pra roubar

quarta-feira, julho 17, 2019

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O João tem o seu jeito de fazer amizade

Alívio é o que me dá

Ele tem essa generosidade
Que eu vi nos seus seus olhos
Quando nos conhecemos

Quando o João estava no meu ventre, queria que ele se parecesse comigo

Hoje
Temo que ele herde meus defeitos
E suspiro pra que ele tenha os seus

sábado, julho 13, 2019

Passagem

Passo os segundos da madrugada tentando guardar a textura da sua pele na minha.

Tão efêmero se faz nosso estar.

Desejo, não vá hoje.