A dor sozinha
Na calada e fria língua
Que grita
Mas só replica
A mesma fala
Do dia-a-dia
Esconde silenciosa
Toda Dor
Que soca a boca
Ameaça lágrimas
Mas ainda mente a vida
Pois não se pode chorar
Pois, o filho há de piorar
Há de lamentar
A dor da moça
Mãe
Que não sabe se controlar
A dor silente
Dói quando ouve o bla, bla, bla
É o que argumentam:
Fica calada
Queita
Resignada
Não diga
Não respira
Não transborda
Não lacra
Não beija
Não nada
E só se cala
Estou a procura de alguém que goste de poesia, ouça de tudo com certa alegria particular. Sente-se comigo na areia da praia, curta as minhas danças estranhas, e até venha dançar comigo. Que me veja. Goste de viajar, queira ter mais do que 1 filho, me beije no pescoço. Que me abrace de mansinho quando estiver triste. Tenha seus defeitos, mas fale comigo.
Tenho rotina. Acordar. Loucura do tempo na manhã.
João no banho, grande loucura.
Almoço, resistência e paciência.
Som no carro feliz. Enquanto o João ainda está.
João, escola, professora, sorrisos, pertencimento.
Chave, carro, música, dor.
E ali vou. Vou chorando por você não estar aqui. Me perguntando porque as árvores ainda crescem se você não está aqui. Porque podemos abraçar nossos filhos e dar-lhes carinho, quando você não pode.
Porque, não poderemos mais ver seu sorriso. E quando foi que perdemos você?
E quando sua irmã e sua sobrinha estiverem sob o teto do seu pai, porque temos que viver a dor louca de saber que não poderá acontecer com você entre nós.
Porque?
E quantos carinhos a Maia não poderá lhe dar. Quantos abraços e beijos ela não terá de você.
Você não era minha irmã. Tampouco tive muito do seu tempo. Mas, então que dor é essa que não me deixa? Eu amei tão loucamente seu irmão, que amei todos os seus, inclusive você.
E não consigo suportar, no trabalho, quando devia escrever sobre leis, defender os direitos, me furto o pouco tempo, para me dar o direito de escrever sobre você, pois vou amanhã, amargurar não ter escrito, e agora....Agora tudo é efêmero e fugaz.
Não temos mais tempo, não temos mais você.
Não é posse ou algo do tipo. É que, talvez, não entendemos, que deveste partir, agora, tão jovem.
Meu filho não lhe chamará de Tia amanhã. Não verei seus cabelos brancos, nem compartilharei com você minha segunda gravidez. Não teremos você para nós amar silenciosamente, como fazia.
E ela chorou, sorrindo continuou a falar, não quis se calar. Estava feliz em meio às lágrimas.
--- Antes ter tido os amores e paixões que tive, para lembrar deles com
o carinho de quem viveu intensamente. Eu vivi! Vivi todos esses seres
que me deram o prazer de adentrar em suas vidas, de maneiras outras, tão
incomuns. Ainda me lembro dos momentos bons, são todos parte do sol que
irradia de mim.