quinta-feira, julho 02, 2026

Me perguntei se poderia escrever sobre aquela tarde, aquelas horas em que fiquei admirando a luz do sol delineando seus cachos, e o jeito que sua boca sorria a cada ideia mirabolante, planejando encontros que nunca iam acontecer, sua mão na cintura, seus lábios grossos, seu sorriso, o jeito sem graça que você desviava dos meus olhos. Me sentei do seu lado, seu hálito fresco na escuridão dos meus olhos fechados, mergulhados no oceano do meu interior, era um absurdo convite a saliva, lábios e cheiros. Respirei. Nem todo banquete é para ser enfurecidamente desfrutado, embora adoraria desprender-me das amarras, comer com as mãos, deitar sobre a mesa. Respirei. Já era dia.

domingo, novembro 02, 2025

raciocínio

Pensei em fazer uma pequena lista de mulheres que são casadas, mas não deveriam estar casadas/namorando...

Começo só com as iniciais:

I
K
J
B
L
L
D
R
P
E
V
F
R




segunda-feira, março 31, 2025

pequena e grande

As cidades pequenas expressam uma força imagética efêmera. Uma praça adornada com uma bela Igreja estilo barroco, árvores frondosas, casinhas estilos colonial, com seus telhados e acabamentos em madeira, janelas de abas duplas, e cores das mais diversas. Sempre há alguém que repousa por mais tempo do que é necessário nos bancos da praça. Há crianças correndo pelos arredores, carros que contornam as ruas de pedrinhas, como besouros cansados e despreocupados com o tempo. Pois, é assim que as cidades pequenas funcionam, despreocupadas com o tempo.

Certo dia, uma menina desconhecida desaprendeu-se do ônibus, que outrora viajava entre o município pequeno e a grande cidade. E, por ainda não entender as entrelinhas de uma cidade pequena, apresentou suas dúvidas para onde partiria para alguém da pequena cidade, com os dizeres econômicos: preciso ir ao Conselho Tutelar. 

Mas, o que a moça da cidade grande esqueceu, é que os integrantes desse órgão eram nomeados pela população e de conhecimento total de todos, visto a pequenez das ruas e das distâncias, e longitude das línguas dos residentes. 

E de certo e de errado, foi-se espalhando por entres as papilas gustativas dos pequeninos moradores, que havia uma nova pessoa trabalhando no órgão ora temido, ora desacreditado na cidade. 

Em mais uma viagem, sem saber a reverberação de sua menção, a senhorita tornou a confirmar sua relação com o conselho tutelar. Mas, dessa vez, a dúvida real e urgente, já era dos próprios integrantes do órgão, que botaram a cara na rua a procurá-la, como quem fareja desordem. Que datada a descrição dos transeuntes do veículo automotor, diziam estar de calça e  blusa claras, portando bolsa com as insígnias do Conselho Tutelar. 

Mas, ora bolas, quem será? Passou pelas rentes cabeças, que ali fornicavam hipóteses, que poderia ser uma fiscal, a mando de gente grande da Casa da Justiça, a mando do Ministério Público. O grande MP. 

Por derradeiro que o mistério tornou-se indissolúvel, sem poder se dissolver nas ilusões do povo, pois a moça havia sumido. Não se via ninguém na rua que fosse ela, pois se não fosse ela, era gente conhecida, e gente conhecida da cidade, não era ela. 

Grandes e irreverentes histórias foram criadas para explicar o tal sumiço, já que o ônibus não vinha sempre, e não retornara para que ela pudesse zarpar nele sem dar explicações. 

Nem carro estranho tinha se submetido nas ruas, a fiscalização se mostrou intensa. 

Foi que num salto quase angelical, que lá das paredes do prédio do órgão subjugado, ouviu-se um cântico doce e crianças rindo. O som havia tocada docemente os ouvidos de uma quase moradora. Quase, pois os seus pés ainda estavam levitando sob as calçadas da pequena cidade. 

E de lá, de dentro do conselho tutelar, ela pode entender de onde vinha a novidade. Era da casa bonita que se modificava a cada dia. Ontem fachada um pouco morta, hoje viva e reluzente.
Casa que tinha um caminho de entrada de casamento, cheio de plantas. O grande corredor do portão principal, corredor floresta, que era o máximo que algum curioso poderia ver. 

E a curiosidade tomou todo o corpo da quase residente, que se pôs a andar em direção a casa, e viu a soslaio a figura doce de uma professora, de blusa e calça clara, e em cima da mesa uma bolsa cheia de bonequinhos felizes desenhados. 

Fim do mistério. A moça da cidade grande, e de grandes sonhos, tinha recebido a oferta de dar aulas, na casa de grande gente, e de grandes feitos, de grandes pretensões. E lhe deram um simples indicativo: fica em frente ao Conselho tutelar. 

E a casa, apesar de grande, tinha algo muito maior, grande mesmo, era ofertar cultura para toda gente da pequena cidade. Sonho que aqueles que regavam o corredor floresta, cultivam em seus corações. 

Corações grandes, em pequenas cidades. 

As cidades pequenas tem dessas coisas fortes, de ser uma almagama entre ruas, árvores e pessoas, ninguém entre ou sai sem ser percebido, é viva e voraz. E cheia de belezas internas, de "coisices", de fofocas e meias verdades. Mas, ela se dobra para ver a novidade,  que embora possa ser julgada, traz a esperança, traz a grandeza. 

Alguém um dia dirá: nas pequenas cidades, há uma grandeza singular. 


quinta-feira, dezembro 19, 2024

juventude

Sem perceber atropelei com meus ímpetos de juventude a sensibilidade do seu olhar.
 Mas, no andar da velocidade das pontes, direções e unguentos que me atravessavam, eu vi..
Vi que a serenidade de como você enxerga o tempo e as coisas, eram na verdade muito mais urgentes e necessárias. 

Peguei-me a refletir, por acaso, quais seriam as minhas atitudes daqui há um tempo. 
E quais já são as minhas leituras da vida, em comparação aos mais novos. 

Certo que na minha experiência, nessa nossa pequena interação, pude enxergar beleza e imensa compaixão. 

Será que ainda serei capaz? 
Será que fui capaz?

Tomara que sim, no futuro e no passado. 

De onde estiver, saiba: te amo.

terça-feira, novembro 05, 2024

hiato

Deveria se chamar o hiato da mãe, ou momento de hiato da mãe. 

Será?

O que seria um hiato?
E para mim, mãe?

No momento mais movimentado do dia: paz.

No hiato de uma mãe, e direi em terceira pessoa, ela se viu absorta na escuridão do que fazer.

 Havia mil coisas, mas a ação escorrera de suas mãos em pensamentos profundos e rasos de solidão. 

A soletude não era temida por ela, era até querida. Mas, não assim. Do nada, sem planejamento. 

Ela tinha livro e artigo científico para ler, série para ver, louça para lavar, cama para estender, música para ouvir. E ela não fez nada. Nem comer fazia muito sentido. 

Teimou a distância, tentar segurar os fios dos cabelos das filhas, verificar as roupas, o filho está bem?

Cadê meus filhos?

A saudade arrebatava. Tentou tomar um banho quente, sem interrupções, procurando achar na memória a sensação de esgotamento, e de asfixia, daquelas vezes que eles amontoaram por cima dela, e pressionaram tão forte o peito, até que ela ficasse sem ar. 
Era o amor. 
Era o querer.
 Um pedaço seu para cada um dos três filhos. 

Ela não achou. 
Era só água quente e silêncio. 
Nada que pudesse dizer: alívio. 
Ao invés disso, teve a sensação da pequena no colo, o cheirinho de leite azedo no pescoço, o tom de ouro dos cabelos da do meio, o abraço apertado e gostoso do mais velho. 

Que saudade. 

Eram só horas, mas que saudades. 

Então, como o nada parecia tão afável, ela abraçou a solidão, saudosa, até com lágrimas, e tentou dormir.
 Por que dormir para mãe era também difícil. 

A mãe nem sempre dorme. Acorda a madrugada toda, dá peito, preocupa com o cobertor que escorre do corpo da filha, se o filho colocou manga comprida.
 Ela acorda 5h da manhã, e preocupa. 
Dorme mais um pouco, mais a pouco temos que o acordar o João. 
Para o João tem que ter carinho e paciência, para a Isis e Juju o colo e beijinho. Lembre da mochila, do remédio. 

A mãe não dorme. 

Vou dormir. No meu hiato, vou dormir.

segunda-feira, junho 26, 2023

Safada que sou

Vou escrever um texto safado.
 Sobre a grande safadeza que as brumas do cotidiano escondem. 
 "Adultar" vai ser o neologismo que invento agora para xingar essa fase da vida, que nos tira a maioria das horas de safadeza, e nos aplica amores incondicionais sobre filhos, monogamia, trabalho, família. (não que seja ruim, mas é bem um pelo outro). 
Enquanto passo de um cômodo para o outro, ainda ouço aquelas músicas, sabe?
 Aquelas da nossa época? 
E vejo a silhueta do meu perfil pela janela, e ainda, ainda assim... 
Ainda penso safadezas.

sexta-feira, março 31, 2023

crush de Hollywood

Comecei a pensar como gosto do Adam Driver
Gosto do jeito grande e desajeitado dele
Mas, ao mesmo tempo da vulnerabilidade e a ternura
As vezes (papéis) acho ele o pão da pura masculinidade
E isso
E isso não me atrai, ou pelo menos me coloca em alerta: tipo como esses....
Mas, aí você descobre entre os cabelos negros o nariz não tão perfeito, que é tão bonito para mim, por suas pequenas singularidades.
Os olhos pequenos e tão negros, vulneráveis.
Suscetíveis...

No fim, entre jeitos e rostos, o que mais me toma é a vulnerabilidade....

Mostre um pedaço dela e eu cairei ....

domingo, outubro 23, 2022

Fade in to you

Acontece que ela vai precisar de um enredo. E eu teria muitos, arrebatadores. Sensações de encher o peito. Eu poderia até falar de vontade. De chorar de vontade no meio da tarde. Também, posso dizer do dia em que nos deitamos juntos e fizemos amor com gosto de menta. De olhar profundo na sua alma enquanto nos beijávamos. Quando eu a ouço estou sempre prestes a me derramar, quero lembrar. Tive tantos passados, tantos beijos intensos, por que nunca foi um beijo por beijo, eu me derramo, e beijo com a alma, mesmo que seja um pequeno momento. Então, posso lembrar com intensidade de todos nossos beijos e dos beijos que não foram dados, mas que foram de alguma forma desejados, beijos que não nunca mais irão acontecer. Como pode um beijo atravessar a mortal vida? Eu teria te beijado no calor da febre, no meio da estrada, entre as poltronas, entre as cobertas, entre nosso calor. Não acredito que vivemos mais de mil quilometros ansiando um pelo outro.

Dindi

Dindi, tu me ensinastes amor com ousadia de peito a peito. Lembra da gente se beijando na bancada da cozinha? Minha deusa, quanta ousadia! E eu vivia flor da pele todo dia Como já dizia Duda Beat Vivia flor da pele 'Nem percebia Que das vezes que eu ria Era vontade de chorar".... Eu não sabia amor Eu não entendia Esse amor seu que nunca me dava Nunca me ligava "De que tipo que era o seu amor?" Ha Dindi Se soubesse O bem que eu te queria Dindi Ha Dindi No dia em que eu fui embora Você ficou Dindi E não houve Maira Bethania que cantasse Dindi E só olhos nos olhos Por que nosso Amor Dindi Precisou de OLhos NOS olhos E quando eu remossava A alegria instantânea Dos meus novos amores Ha Dindi Queria que você visse Que sem voçê eu passava Bem de mais Bem de mais Não se esqueça Dindi O quanto fui amada Melhor e mais vezes Do que com você Dindi

sexta-feira, abril 01, 2022

segunda-feira, março 14, 2022

Diário

É isso! Sentaram em cima de mim e me mandaram falar baixinho, falar mansinho. 
E ela se chama citalopram!
E aí, me dei conta que meus últimos registros são de dor, dor, dor e dor. 

Mas, Oi! Estou gargalhando por aí, e nem estou preocupada em falar baixinho, quando posso sorrir, e a comida ficou gostosa de novo, e eu aperto meus dentes, achando meus filhos as pessoinhas mais lindas e gostosas do mundo.
Como gosto de abraçá-los. 

Também andei jogando queimada, e até levei um tombo. Entrei numa competição de natação com a moçada aqui da rua, e ganhei uma infecção no ouvido!
 
Dei tanto abraço que peguei Covid! 

Minha casa anda uma zona generalizada, mas perdi o medo de me visitarem quando tá tudo fora do lugar! Até fiz bolo pra galerinha sem ter um copo limpo! 
Sabe o que é isso?
Não sei não, tô melhorando.....

Ainda brigo, grito e quando esqueço meu moderador de conduta, fico meio maluca, mas tá tudo bem, tá gostoso. 

A minha deusa nasceu, enfrentamos uma barra na Uti neonatal, mas olha para mim: ela nasceu, e eu renasci forte! Fui forte, muito forte. 

Chorei dos meus olhos não abrirem, quando tive que ir embora da maternidade, sem ela nos braços. Meu rosto estava desfigurado, inchado, vermelho. E no dia seguinte, ela precisava de mim inteira, cheia de leite. Olhei nos meus olhos e disse: você não vai mais chorar, chorar não vai adiantar!

Acordei ás 6h da manhã no dia seguinte, comi duas bananas amassadas, chá e ovo frito. Parti para a maternidade, bati o ponto ás 8h. Segurei ela no meu colo ás 8h10! Abri a blusa tirei meu seio, e estimulei a amamentação! Ela mamou. E meu mundo todo ficou em êxtase!....

Depois disso, todo dia esse era meu mantra, passar o dia todo com minha pequenina, amamentando, falando no seu ouvido. Cobrando as notícias dos médicos, o exame de ultrassom, a visita da neurologista.

Quando comecei a falar aqui, não sabia que isso iria aflorar, essa parte, sabe?

Minha vida não é só sobre dor. Ela anda cheia de crianças e alegria, e de sol, e de descobertas. 

A propósito, obrigada citalopram! Rs....Pode sentar em cima de mim a vontade! Vai ver que precisava parar de espernear um pouco para ver outros caminhos. 

A vida, tão efêmera...

Ainda tem espaço para surpresas, por mais igual que pareça ser, por mais piegas, é sempre um processo único, e também cheio de similaridades, com o passado, com o presente. 

Então, tá tudo bem! E, queria que as sobrinhas estivessem aqui, pra gente sujar o sofá de comida, brincar de pique e pega, queimada, fazer bolinho de lama, pegar carrapato!
Nadar na piscina, ficar de biquíni o dia todo.....


Pois sei lá, essas coisas são as que mais me fazem sorrir. 


sexta-feira, abril 02, 2021

Memórias do Nada

É tão estranho, ver a felicidade e não sentir nada.
Ver a beleza e não se deslumbrar.
Ouvir um riso e não rir junto. 

É possível perder todo tipo de afeição e sonho, deixar aos poucos esvair. 
Dormir é o único alento, quando se pode, pois os pensamentos múltiplos vagueiam rápido de mais para deixar as pálpebras caírem. 

Estou bem confortável, deitada no fundo do poço. 

A vida de repente é um nada enorme e profundo. 



terça-feira, dezembro 08, 2020

Relicário

Relicário tem o gosto do teu beijo que ficou para atrás no início.

Gosto da tua boca que nunca mais será beijo. 

Gosto do lábio nervoso, ora duro e por fim macio. 

Gosto do teu cabelo negro.

Da tua TV no quarto.

Gosto do teu sono.

E do frio que adentrava.
Pela janela aberta. 
Naquela nossas tardes vadias.
Nas nossas infinitas e pequenas noites em dia.


terça-feira, novembro 24, 2020

...

E quando ouvir essa música, espero estar olhando fundo nos seus olhos, com a verdade de mil tentações. 
E de vez enquanto olhar profundo pelo ar, enquanto trago e solto a fumaça.

E voltar, e sorrir, enquanto você se levanta e passa com o seu calor infernal perto do meu pescoço.

E beijo pelo ar, seus lábios, entre a brisa, entre o ar, beijo os seus olhos a me olhar. 




quinta-feira, novembro 19, 2020

Sobre superar: uma carta cheia de felicidade escrita com uma dor lancinante.

Oi gatinho!

Estou planejando deixar tudo mais ou menos arrumado pra vc!
Papéis importantes, coisas assim.
Algo que não deixe muitas marcas, assim você não terá que me arrumar.

Tô tentando esperar uma grana entrar, quase que para pagar o churrasco. Desculpa a forma de falar.

Mas, como você é combativo e forte, acho que vai superar.

Viu um vídeo da Isa Minatel e tá massa com nosso filho! Que coisa marlinda!
Confio em você. E, só em você!

Não foi por acaso que disse sim, meu bem! Sabia onde estava colocando minhas mãos, meus pés.

Foram anos incríveis, de sorte e de dor.

Não! Você não tem culpa de quase nada. Sério mesmo! Apesar das poesias, é de você que vou sentir mais falta.

Aliás, nem falo nele, pois ele é como se fosse Deus!

Sabe quem, não é?

João! O Deus de toda a minha vida.

Porque? Se ele é tudo?

Tá difícil viver amor. E, vejo pro futuro só um ser amargo, envenenado. Não quero envenenar você, muito, muito menos nosso amor maior: João!

Por favorzinho, dê um irmãozinho a ele! Seja esse homem maravilhoso para uma mulher bacana! Agora que tá afiado na cama, vai ser uma loucura!

Seja feliz!

Eu fui muito com você! Saiba.

Veja os vídeos da Isa Minatel e de todos que ensinam a educar. E, saiba: você não é a metade do que seu pai foi pra você, você é muito mais do que ele já foi! Você é um pai muiiiitooo melhor!

Eu tenho certeza!

Por favorzinho, de novo! Minha senha desse smartphone está nas poesias, coloque minhas preferidas no Deezer pra tocar no velório.

Todas! E não pule sequer uma música! Pelo menos uma vez na vida essa povo vai ter que escutar minhas músicas!

Motivo: tem vários, mas um dos maiores é me tornar um ser humano ruim.

Só uma ideia bonita cabe na minha cabeça: morrer enquanto ainda é boa!

Egoísta?! Sim! Muito! De mais!
Já estou deixando de ser bacana. Viu?

Dê muito amor ao nosso filho, e aos que virão! Tenha outros.

Não deixe que ninguém cuide do João, só você! Nem minha mãe, nem sua mãe! Você é o cara!

Eu confio só em você para cuidar do meu deus!

Só você! Isso é importante!

Por favor, se der! Tente publicar o que eu escrevi. Ou então, organize e dê ao João.

Muitas tarefas! Foi mal. Vai ser só agora!

Sei que você nunca vai falar que fui um peso, mas sou sim. Né!

Você é xuxu de mais para admitir!
Tudo bem!

Eu tô indo, mas não é por algo que você tenha feito, não mesmo! Se fôssemos só nós nessa vida, mesmo com todos quebra paus, ainda assim valia a pena a viver.

Se der, e se for possível, explique ao João que fui acometida por uma doença, deixe bem claro os termos!

E, que sirva de exemplo: cuide com carinho da possibilidade dessa doença acometer nosso bebê, e de você também!

Sério! Pois, agora é só você mesmo!

Desculpa fuder com sua cabeça! Eu fiz muita coisa ruim com você! Desculpa!

Mas, você foi o homem que mais amei nessa vida! E, mesmo com raiva de você, ainda te amava!

Adorei, amei muitas coisas e experiências, pessoas! Mas, tá bom! Tá, difícil ficar com os olhos abertos.

Dê minhas roupas! Quando se sentir preparado. Mas, a decisão é sua, e ponto! Sua e do João!

Outra coisa: você é lindo! Bom de cama! Um pai foda! Um filho foda! Um genro foda! Um Cunha foda! Um empresário foda!

Você é muito massa! Mesmo! Não tô indo por sua causa, tô indo por mim.

Vá a terapia e leve o João! Faz falta!

Deixa eu ver.....o que mais?!

Só isso! Te amo muito! Seja feliz! Tenha orgasmos incríveis! Experiências incríveis com nosso filho! Se cuide! Não aceite menos, nunca! Não se meta com doidas varridas como eu! Deixe o amor entrar! Seja pai novamente! Não compare nosso amor com outro amor! Serão diferentes! Mas, nunca um menor que o outro!

Te amo! Te amo!

Adeus!

E até mais!

Mar gelado

Sob o doce superfulo momento de euforia
Ele inspira um fino som de nostalgia
Emaranhado nos erros e no deleite
Cortando a garganta dos que ama
E mentindo aos novos imigrantes

Se apresenta:
A melhor versão lingual
Até que desmanche o sorriso bonito e dê lugar a insolência

Até que esconda choros bonitos em acordes e olhares perdidos

E, desmebre os membros da família
Sem saber para onde ir
Sob pretexto de sentir de novo
E de novo
A euforia
A mentira
A verdade
A nostalgia

.
 
.
Você não precisa do Mar gelado. 






sábado, setembro 19, 2020

Pedaços

Tentando pintar o real com o abstrato
Colocando em caixas separadas o infinito daquele beijo
O infinito doce da saliva
O infinito intenso respirar

Tua mão abraçando o encontro do meu perfil com meus seios
Teu queixo esgueirando minha clavícula descoberta
Tua pele roçando minhas costas, tua roupa errijecida

O girassol dos meus lábios encontrando o sol da tua boca
E o olhar por dentro revirando a vida
Incerta, crua e voraz

Enquanto tuas mãos lambem meu tronco, minha virilha
A vida passa
Passa por entre nossas línguas


sexta-feira, agosto 28, 2020

20h

Eu quero ver a luz do teu carro vindo em direção a minha casa 
Eu quero te ver descobrindo minha porta da entrada
Quero ter você focado em minha áurea
Enquanto te ignoro
E olho o contorno do teu corpo

Preciso fingir que há distância
Para não te servir toda minha ânsia

Preciso dizer que nem senti 
Tanto tua falta

Mesmo que meus ouvidos tivessem decifrado cada som e estalo
Só pra saber se era o teu cheiro 
 Chegando no meu encalço

Tu precisa desvendar todo meu querer 
Antes que eu perca a paciência
E me atire nos teus braços

Aprendi a fazer charme
Um deleite masoquista
Estranho modo de conquista

Tu vai ver meu sorriso de canto
Desvendar tudo que quero
Me encontrar no teu abraço
 No silêncio de nosso leito
Na confusão de nossos peitos








quinta-feira, julho 30, 2020

Brasília

Esse é uma história que nunca será colocada a prova. 
Esse amor, essa paixão. 

Não vou poder fingir que não te vi na rua ou nos corredores do ICH, pois você não vai estar lá, você não está mais nesse mundo. 

Vi sua partida numa mensagem de e-mail. E, sempre me pergunto da profundidade das relações que nunca foram colocadas a prova, dos beijos que nunca aconteceram, mas que de alguma forma, foram sentidos. 

O calor é tudo o que posso me lembrar de concreto. O calor do seu corpo, o meu apelido, o seu olhar, e um pouco do seu abraço. 

É tudo que posso dizer que tenho. 

Sonhei mil vezes em te encontrar por aí, te mandar uma mensagem. 

Mas nunca fiz, nossas vidas foram passando, tive meu filho, me casei, construí casa. E, você estava lá nas minhas melhores memórias.

Escolhi algo só meu naquele ano, e no primeiro dia de aula te vi recostado na parede, um vulto intenso de todos os meus secretos sonhos. 

Ainda imatura para seguir o mais rápido possível para falar com alguém que não tinha pouco do meu passado, mas tinha tudo de mim de alguma forma. 

Vesti um rosto de surpresa enquanto você caminhava em minha direção, e tentei dizer para o mundo que ainda não tinha te visto. Você me chamou do jeito que há anos me chamava: Juju. 

Devo ter corado. Nos abraçamos e meu corpo todo pulsava.

Falamos sobre a faculdade, algo assim, perguntei o que você estava fazendo ali.
Ciência da religião!

 Tive duas longas conversas com você naquele ano, o último ano que o veria com vida, o último ano que qualquer pessoa o veria com vida. 

Numa de nossas conversas, você disse que demorei muito para estar ali. E, de alguma forma parecia que você sabia tudo, tudo que se passava dentro de mim. 

E, será que não sabia?

Queria que tivesse a dimensão do seu impacto em mim, mas não tive a oportunidade. 

Como dói, perder a oportunidade. 

Naquela mesma época, enquanto comprava algo num bar, vi você de longe práticando capoeira. Sentei no degrau do bar e fiquei admirando o que nunca poderia ter. 

Depois da sua morte, não sei quem você foi, se teve filhos, se amou verdadeiramente. 

E, sigo sentindo sua falta. Com  a certeza que nunca  mais poderei vê-lo.

Algo que nunca se teve, que nunca pode se provar. 

Deve ser o mais puro dos sentimentos. 
Sigo sentindo a falta do que nunca tive, a falta da possibilidade.

Sinto sua falta, falta de não poder ver você andando na rua. 

Lembra, daquele dia no bar de bilhar?
Você encostado em mim, mais do que só sentado ao meu lado. Do teu corpo quente, da vontade na ponta da sua boca, do teu olhar nada isento, e do meu sorriso e "se". 
Eu me lembro....


Como dizia Cazuza...

"teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer
E o meu, poesia de cego
Você não pode ver

Não pode ver que no meu mundo
Um troço qualquer morreu
Num corte lento e profundo
Entre você e eu"....